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UFF promove debate sobre branquitude, racismo e representatividade na mídiaRacismo e comunicação: debate na UFF discute os efeitos do pacto da branquitude

Dissemina UFF
6 de out.
3 min de leitura

“É na comunicação que a gente consegue perceber o quanto somos colonizados”, diz Etiene Martins em roda de conversa com Thales Vieira promovida pelo Dissemina.

Por: Ana Clara Batista e Gabriel Silva


Na última quarta-feira (06/05), o Dissemina realizou uma palestra que promoveu o debate sobre o pacto da branquitude. O evento aconteceu no pátio do Instituto de Artes e Comunicação Social da UFF e contou com a presença da jornalista e ex-professora do Instituto, Etiene Martins, e do antropólogo e ex-aluno do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da UFF, Thales Vieira.


A conversa teve como base o livro de Cida Bento: “O Pacto da Branquitude”. Os convidados refletiram sobre como o pacto da branquitude opera de forma estrutural na sociedade brasileira, especialmente nos espaços acadêmicos, midiáticos e institucionais.


Durante a palestra, Etiene Martins relembrou episódios de racismo presentes na mídia brasileira e refletiu sobre como a comunicação reproduz lógicas coloniais. Para a jornalista, discutir branquitude é também discutir violência e exclusão social.“Falar de branquitude é falar de racismo e isso é doloroso tanto para quem violenta quanto para quem é violentado”, afirmou.


Ao discutir representatividade na mídia, Etiene destacou como a branquitude naturaliza espaços de poder e invisibiliza pessoas negras em posições de destaque. Segundo ela, “a branquitude ilude a gente de tal forma, que tem gente que acredita que o Jornal Nacional já teve um apresentador preto”.


(Da esquerda para a direita: Etiene Martins e Thalles Vieira. Foto/Créditos: Ana Clara Nascimento)


Sob uma perspectiva antropológica, Thales Vieira ampliou a discussão ao refletir sobre o surgimento do racismo. Segundo o palestrante, não existe raça sem racismo e, para enfrentar o pacto da branquitude, é fundamental ampliar os espaços de debate sobre o tema, especialmente em instituições públicas como a universidade.


“É aqui que eu quero estar fazendo esse debate porque aqui vai ser a vanguarda dessa nova forma de pensar e a partir da política de cotas, pensando em novas formas de encarar o mundo”, completa. Thales também fala sobre a importância de entender o racismo para que ele finalmente chegue ao fim. “Se o racismo existe, é porque existe uma engrenagem que o mantém. E quem está girando são os brancos que portam estratégias, portam pensamentos, fazem formas de manter essa sociedade ser racialmente estruturada.”


Gabriela Marinho, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da UFF, compartilhou, em entrevista, como foi a experiência de acompanhar o evento como ouvinte. Para ela, a presença dos palestrantes tornou o debate ainda mais potente: “Eles são duas potências muito fortes quando estamos falando de racismo, mídia e comunicação”, afirmou a aluna.


Em um sentido mais amplo, discutir o pacto da branquitude significa compreender como determinadas estruturas de poder ultrapassam os limites da universidade e se manifestam no cotidiano social, cultural, político e econômico. Durante a entrevista, Thalles destacou que “o pacto se apresenta a partir de preferências estéticas, culturais, políticas e econômicas, que os brancos olham para si como sendo um modelo universal de humanidade”. Ainda segundo ele, essas preferências “se retroalimentam e pensam em si como sendo esse lugar universal e, portanto, portador desses privilégios e da continuidade de manutenção desses espaços”.


Nesse contexto, espaços que ampliam esse debate são fundamentais para compreender como essas estruturas operam nas relações sociais, nos meios de comunicação, nas instituições e nas oportunidades oferecidas à população negra.


O Projeto Dissemina possui um papel fundamental na criação de espaços de debate sobre raça e gênero dentro e fora das universidades. A iniciativa promove eventos, palestras e rodas de conversa voltados para essas temáticas, ampliando o diálogo e fortalecendo reflexões sobre questões sociais contemporâneas.


Para acompanhar as próximas atividades e saber mais sobre o projeto, siga o Instagram @projetodissemina.


FOTOS/ CRÉDITOS: Ana Clara Nascimento

 
 
 

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