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"Tudo começa em Exu": Aline Valentim destaca comunicação, ancestralidade e dança afro no FANDOM

Dissemina UFF
6 de out.
2 min de leitura

Atualizado: 15 de out.

Por: Gabriel Dos Santos

Foto: Ana Clara Batista


A socióloga e artista Aline Valentim participou do FANDOM (Festival Acadêmico, Novos Desenvolvimentos e Outros Movimentos), realizado na Universidade Federal Fluminense (UFF), a convite do projeto Dissemina. Com mais de 20 anos de atuação nas artes cênicas e na cultura popular, especialmente nas danças de matriz africana, a palestrante retornou à universidade para a relação entre comunicação, corpo e ancestralidade.


Durante a roda de conversa, Aline explicou a importância de Exu dentro das tradições de matriz africana e sua ligação direta com a comunicação.


Segundo ela, Exu não apenas simboliza a comunicação, mas é a própria manifestação dela.


"Tudo começa em Exu. Ele promove uma abertura de caminho, é ele que leva e traz todas as comunicações, ele é da troca. Viver é trocar. Então Exu é o princípio da comunicação, ele é a própria comunicação."


A artista também destacou a dança como uma poderosa ferramenta comunicativa. Para ela, as danças de matriz africana ultrapassam a linguagem verbal e atuam por meio do corpo, do som e da energia compartilhada entre as pessoas.


"A dança é uma forma de comunicação poderosíssima. Ela mexe na nossa energia, promove curas e fortalece a gente para que as outras comunicações sejam potentes e verdadeiras."



Além de abordar a importância da dança, Aline ressaltou o papel desses conhecimentos dentro da universidade. Segundo a socióloga, o ambiente acadêmico costuma privilegiar o intelecto, enquanto o corpo muitas vezes é deixado de lado.


Para ela, trazer práticas corporais e conhecimentos de matriz africana para o espaço universitário amplia as formas de aprendizado e fortalece a conexão dos estudantes com suas histórias e identidades.


"É importante trazer esse corpo para o movimento. A dança ativa coisas que só ela ativa. Também é fundamental trazer essa matriz de conhecimento negra, para que as pessoas conheçam suas histórias, suas raízes e as potências que existem nelas para além dos estudos teóricos."


Por: Ana Clara Batista


Ao final da conversa, Aline falou sobre a emoção de ver outras pessoas negras se reconhecendo por meio da dança afro e dos saberes ancestrais. A artista afirmou que esse reconhecimento reforça a importância de continuar ocupando espaços historicamente negados às manifestações culturais afro-brasileiras.


"Quando eu venho aqui e vejo que isso reverbera, eu falo: estou no caminho certo. Ninguém vai me derrubar, eu vou continuar fazendo isso."


A participação de Aline Valentim no FANDOM reforçou a proposta do festival de promover diálogos entre diferentes formas de conhecimento, aproximando a comunidade acadêmica de reflexões sobre cultura, memória, identidade e comunicação.


 
 
 

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